25 julho, 2016

Dizem que são bodas de estanho


Creio que foi o sorriso, o sorriso foi quem abriu a porta, diria Eugénio de Andrade. Uns anos depois, um outro poema, que também falava de sorrisos, foi impresso num convite de casamento.

A cidade dos meus afectos estava festiva, iluminada, para as festas gualterianas, quando os convidados chegaram, de todos os pontos do país, para festejar connosco um dia muito feliz. Partíamos pouco depois para uma dulcíssima lua-de-mel, na terra dos faraós. E, num piscar de olhos, passaram-se dez anos!

Não eras um viajante, quando nos conhecemos. Fôramos a Sevilha apenas, num verão escaldante, quando os termómetros marcavam temperaturas estratosféricas, os bombeiros suavam as estopinhas para combaterem os incêndios, eu ainda usava mini saia e carregava um livro para onde quer fosse. A bela praça de Espanha estava em obras, mas a Giralda velava a cidade banhada pelo Guadalquivir.

Julgo que algo mudou no Egipto, porque é um país que não deixa ninguém indiferente ou simplesmente porque a felicidade que se nos impregnou na pele, no dia do casamento, ainda fazia a sua magia. "É um privilégio estar aqui", repetiste várias vezes, quando entraste numa pirâmide, quando enfrentaste a máscara de ouro do Tutankhamon, ou quando humedeceste, pequenino, perante o grande templo de Abu Simbel.



Já éramos três, quando abraçamos a grande aventura transatlântica. Foi com um misto de expectativa e ansiedade que chegamos, de armas e bagagens, ao Brasil, onde reaprendemos rotinas e o Pedrinho ganhou um sotaque delicioso. "Mamãe, cadê você?", procurava, enquanto eu reprimia o impulso de o corrigir. Mas o destino tinha outros planos para nós e a nossa vida no estado de S. Paulo acabou por ser um sopro.

Ao longo desta década crescemos, aprendemos um com o outro, e tu definiste-te como viajante. Se eu prefiro destinos históricos, tu és perdido por grandes metrópoles.

Eu vibrei com Roma e as suas belas chiesas, os museus a transbordarem de Michangelos e as piazzas cheias de arte, os anjos de Bernini e o majestoso Moisés. Assim como adorei a China mais tradicional. Já a ti, foi necessário arrastar-te de Londres, do Piccadilly Circus e do chá das cinco, dos concertos de rua e do Covent Garden. Nada que se compare ao que sentiste em Liverpool, apesar de tudo, quem sabe porque te arrastei para demasiados museus na terra dos Beatles.



O trabalho levou-te até outro continente. Uma terra que mal conheces, por excesso de trabalho, pela insegurança que sentes à tua volta mas também porque Angola não mexe com o teu sangue. Acredito que se nunca fôssemos passar o Natal aí, não visitarias o Museu da Escravatura, a ilha do Mussulo ou o Parque do Quiçama. Mas continuas a sonhar com Nova Iorque.

Entretanto criamos um menino maravilhoso, curioso, um pequeno explorador que absorve o mundo que o rodeia. Ainda não sabemos se vai gostar mais de países ultramodernos ou se partirá, de mochila às costas, para a selva amazónica. Por enquanto, quer conhecer tudo.

Destes dez anos maravilhosos apenas descrevo as deambulações, porque os sentimentos expressam-se em privado. Estás pronto para mais uma década?




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Nota: Ao passarem com o rato por cima das fotos, descobrem um link para a campanha de upgrade de lugares que a TAP está a realizar até ao fim do mês

19 julho, 2016

De regresso à Grande Citânia dos Avus




139 a.C. Os tempos têm sido pacíficos no Monte Sagrado. A Grande Citânia do Avus vive próspera, protegida pelas suas quatro muralhas. Mas nem tudo é pacífico nas terras da Ibéria…

O general Quinto Servílio Cipião desespera por entregar a Roma evoluções na Península, enquanto o herói Viriato envia embaixadores para promover alianças entre os povos locais. 

Enquanto isso, a Citânia enfrenta um problema político, quando o poder é, contra todos os costumes, pretendido por uma mulher: Celea, a filha do líder recém falecido. A tensão aumenta com a inusitada chegada de 
Minurus, um guerreiro lusitano.
Como acaba esta história? Viriato foi traído, os brácaros romanizados e o topo do monte sagrado enterrado, sob séculos de terra e história. Até que, há cerca de 130 anos, um visionário - de seu nome Martins Sarmento - comprou o monte e iniciou ali o primeiro grande projeto arqueológico em Portugal.
As escavações duraram nove anos e foram desenterrando ruas, calçadas, os alicerces das habitações, fossos e banhos... uma descoberta tão fantástica que alcançou uma excepcional repercussão internacional.





Hoje, as ruínas não só são visitáveis como recebem, uma vez por ano, uma recriação histórica que pretende dar a conhecer o Museu de Arte Castreja e o sítio arqueológico: Aurora, a história dos brácaros que vos apresentei lá em cima, foi encenada há dias, na 11ª edição da Citânia Viva.

Sob um céu estrelado e uma lua quase cheia, é impossível não regressar a casa de coração cheio, apesar de algumas falhas técnicas no espectáculo. De resto, sinto-me sempre transportada para as páginas de João Aguiar, em particular para A Voz dos Deuses, obra que adoro e à qual regresso sempre com prazer.

No próximo Verão, espero reencontrar este monte sagrado. Recordem a edição de 2015 aqui.




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Sítio arqueológico da Citânia de Briteiros aqui
Citânia Viva: entrada livre