Liverpool 3 – Museus e Super Lamb Bananas

by - 05:32

Continuamos em Liverpool, “a city of great tradition, fabulous humour and stunning architecture”. Hoje falaremos de arte, num lugar onde esta é levada a sério


Quatro museus no Albert Dock e, logo ao lado, o Museu de Liverpool (edifício branco).  Riqueza assim...







A terra natal dos Beatles é uma cidade vibrante, com inúmeros festivais ao longo do ano, música ao vivo nos pubs e nas ruas. Mas nem só da tradição musical vive Liverpool que, graças ao seu dinamismo, se tornou o segundo destino cultural de Inglaterra. 

(It’s been a hard day’s night, and I’d been working like a dog / It’s been a hard day’s night, and I should be sleeping like a log…)

Os museus nasceram como cogumelos. Assim rapidamente, consigo apontar uns oito, e não conheço assim tão bem a cidade. Maravilhosamente, a esmagadora maioria tem acesso livre, ou seja, não se paga entrada. E ainda se pode fotografar no interior, premissas que incluem o Tate, um satélite do célebre museu londrino. 

No seu actual acervo predomina a arte contemporânea, com especial destaque para a escultura. Mas outros tesouros enfeitam as paredes: quadros de Francis Bacon, de William Blake ou Magritte. Um Salvador Dalí fica mesmo ao lado da lata de tomate Campbell’s de Andy Warhol. Aliás, o percursor da pop art está ali bem representado com várias peças, nomeadamente o retrato da rainha Elizabeth II. 



A rainha por Wahrol (esq.) Desfrutando de um Salvador Dalí (centro).  Uma escultura em metal põe África na frigideira (dir.).


O St. George’s Quarter é outro polo artístico, concentrando a biblioteca pública, o World Museum Liverpool e a Walker Art Gallery, para além do neoclássico George Hall, onde decorrem muitos eventos.

Neste cantinho, só houve tempo para visitar o World Museum, imponente com os seus cinco pisos. Em cada um deles, uma ou mais exposições incluindo um pequeno aquário (1º andar), culturas do mundo no segundo piso (pode ver-se ali uma armadura de samurai ou óculos de sol artesanais dos esquimós), uma colecção de arte clássica (Egito, Grécia, Roma e Anglo-Saxónia estão no 3º andar), um departamento de história natural (dinossauros e afins no 4º) e até um planetário (5º).

Por muito impressionante que seja este museu, porque o é, deixo aqui um enfático protesto em relação ao espaço… É que nós almoçamos lá, no buffett do último andar. O aviso que deixo é: não experimentem a sopa caseira! Ainda hoje tremo ao imaginar de que seria feita aquela mistela! Bizarro como a letra da Lucy in the sky with diamonds (abaixo)!

(Picture yourself in a boat on a river / with tangerine trees and marmalade skies/ …Cellophane flowers of yellow and green / Follow her down to a bridge by a fountain / Where rocking horse people eat marshmellow pies / … Picture yourself on a train in a station / With plasticine porters with looking glass ties)






Regressamos à zona das docas. Para além de todos os espaços culturais que já tive oportunidade de destacar (Museu de Liverpool e The Beatles Story), um último fôlego para o Merseyside Maritime Museum e o International Slavery Museum, que ficam no mesmo edifício – uma vez mais no Albert Dock.

(In the town where I was born / Lived a man who sailed to sea / And he told us of his life / In the land of submarines…)

O primeiro sublinha o passado marítimo da cidade. O segundo honra, de uma forma tocante, os seres humanos que, num passado longínquo ou nos dias de hoje, foram escravizados através de testemunhos, poemas e artesanato africano. “We remember” – é a resposta do museu às palavras do escravo William Prescott “They will remember that we were sold, but not that we were strong. They will remember that we were bought, but not that we were brave”.


Finalmente as Super Lamb Bananas!

Falei das Super Lamb Bananas há dias, estão recordados? Pois bem, finalmente chegou a explicação. A Super Lamb Banana original foi criada pelo escultor japonês Taro Chiezo e causou alguma polémica pelo cruzamento entre uma ovelha (lamb) e uma banana. Com esta peça, o artista quis abordar os perigos da comida geneticamente modificada.

“It is Liverpool’s most hated and most loved public monument”, dizem. O que seria uma obra com dimensões éticas transformou-se numa atracção popular, do ponto de vista artístico e turístico, para a cidade. Hoje as simpáticas ovelhinhas enfeitam as ruas e surgem em todas as lojas de souvenirs.



Aí fica um breve apanhado de algumas Super Lamb Bananas em que tropecei! E ainda voltaremos a Liverpool para falar das catedrais.

(Obladi, oblada, Life goes on, bra / La la la how the life goes on)



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4 comentários

  1. Esses carneiros são o máximo. Fizeram-me lembrar a "Cow Parade" que andou pelas ruas de Lisboa há uns anos.

    Beijos
    Tiago Pimentel

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  2. Olá Tiago. A "cow parade" foi muito gira, já nem me lembrava.
    As crianças adoram os carneiritos de Liverpool, estão sempre a tentar trepar. Acho que faz parte da natureza delas, hehe.
    Beijinho

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  3. oi garota, adoro museus!!! aqui temos apenas 1, que é uma residência/museu, onde a família é proprietária da casa, as peças - algumas são compradas por eles, outras doadas - e eles vivem na casa, junto com as mais de 3000 peças... é muito lindo, tive o privilégio de crescer convivendo com esta família, que é amiga da nossa família a três gerações!

    aproveito pra te desejar um ótimo final de semana
    bjs
    tititi da dri

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    Respostas
    1. Oi Dri, então você é uma ave rara como eu :) E os museus estão cada vez mais apelativos e dinâmicos, graças aos céus.
      Como se chama a vossa casa-museu?
      Abraço

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

Obrigada por ler as minhas aventuras e ainda gastar um momento para comentar. A sua presença é muito importante para mim. Um abraço e até breve!