Templos do Mundo 2: Cor para Ildefonso

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Como em tantos outros lugares do mundo, a história em Sevilha conta-se às camadas. Visigodos, depois árabes, por fim cristãos. Neste caso, o final foi colorido

Da Galiza viajamos até à Andaluzia. É sob o inclemente sol sevilhano que prosseguimos nesta incursão pelos templos do mundo. 

Aquando da minha última visita, já lá vão uns oito anos (como o tempo corre), estava muito empolgada com a perspectiva de visitar a Catedral de Sevilha, a maior de Espanha, com a sua famosa Giralda. Realmente, ela é magnífica mas, precisamente porque a esperava assim, não me emocionou tanto como a Igreja de Santo Ildefonso, construída no século XIX.

Tropeçamos nela por acidente, nas nossas deambulações pelas vielas do centro. Infelizmente estava fechada, pelo que só conheço o interior virtualmente – abençoada web! Mas o que dela vi bastou para me apaixonar.



As janelas de inspiração árabe, numa loja (esq). Eu, tão novinha, junto ao Quarto
de Costura de Rainha,
 que também parecia gostar de cores fortes (dir.).

Em vez de pedra, cinzenta e monótona, um rosa forte com amarelo, bem no espírito alegre dos sevilhanos. Dizem que o templo, dedicado a Ildefonso (a forma original de Afonso, em espanhol) um dos Pais da Igreja, é de estilo neoclássico, facto que a planta confirma. E existem também por lá umas colunas jónicas e coríntias, nomeadamente as que ladeiam a imagem do santo no frontão.

Mas a igreja tem um certo barroquismo que, a meu ver, só lhe dá charme. Afinal, estamos em Sevilha, as influências moçárabes espreitam do alto de cada janela rendilhada e a igreja faz jus a este passado.

Aliás, no século XVII, por causa de uma terrível peste, alguém teve a brilhante ideia de reaproveitar valas antigas e, graças a isso, descobriu-se uma lápide com inscrições que provavam a existência de um outro templo ali. Ou seja, naquele mesmo local os visigodos prestaram culto, depois ergueu-se ali uma mesquita, a que se seguiu uma igreja que acabou por ruir e, finalmente, construiu-se esta Igreja rosa e amarela.

São as camadas da História. Neste caso, com um final colorido! Cores fortes que se repetem no amoroso "Quarto de Costura da Rainha", bem perto do Guadalquivir.

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14 comentários

  1. Lindos templos e aprender enquanto viajamos é muito bom! um beijo,tudo de bom,chica

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  2. nossa uma menininha na foto..... amo aprende um pouco mais da história, contada por ti, com tantos detalhes que os professores e até muitos livros, esquecem de nos ensinar!!
    bjs e novamente obrigada
    tititi da dri
    ps próxima semana envio o teu mimo tupiniquim
    bjs

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    1. Querida, fui pesquisar que palavra era essa "tupiniquim". Já aprendi qualquer coisa hoje :)

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  3. Ruth,que lindo esse passeio!Uma beleza de igreja em rosa e amarelo e que interessante história ela guarda!bjs e meu carinho,

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  4. Não é bela? Adorei as cores. Os sevilhanos é que sabem...
    Beijinhos para as minhas três queridas amigas e um doce fim-de-semana

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  5. Ruthia, deu-me vontade de voltar a Sevilha! As suas fotos são lindas e o seu texto, além de comunicar detalhes de interesse, desperta o sonho de ver o que os seus olhos viram.
    Obrigada por partilhar!

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    1. A Dulce está a morar na Europa, certo? O que mais gostou em Sevilha. Eu amei a Praça de Espanha...
      P.S. Eu é que agradeço a sua gentil visita

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  6. Parece até coincidência, acharem ruínas nas valas, mas acho que não, ali tinha que ser sempre um templo. Coisas inexplicáveis da vida.

    Amei sua descrição do rosa e amarelo do templo.

    Beijos, querida e ótimo domingo!

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    1. Acho que os sevilhanos são um pouco como os brasileiros, gostam de cores e emoções fortes :)
      Beijinho querida Clara

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  7. Emoções a toda prova. Mais uma vez parabéns pelo seu portal de comunicação.
    Uma ótima semana.
    Abraços:
    Prof. Nicolau

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  8. O comentário que me ocorre é majestoso!!!
    Beijinhos, boa semana em grande!
    Madalena

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  9. Oi Ruthia,
    Que maravilha!
    Obrigada pelo belo passeio pela história e por mostrar o encanto da Catedral de Sevilha com suas cores vibrantes. Amei!
    Beijos.

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  10. Caríssimos Nicolau, Madalena e Silvia. Tudo o que posso dizer é obrigada pelos comentários, pelo carinho, por sempre arranjarem um "tempinho" para uma visita, nestes dias doidos e stressantes que todos vivemos.
    Beijinho para os 3 e uma boa semana

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  11. Ruth,passando para reler suas belas e interessantes postagens e agradecer sua visita tb!bjs,

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

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