Rocks under the rainbow

by - 12:50


Mistura-se raios de sol e chuva miudinha e… puf… a nossa aventura em busca de menires é abençoada por um magnífico arco-íris



Quando me falam de menires, antas, cromeleques ou outros palavrões megalíticos sou imediatamente transportada para Stonehenge e perco-me nos meandros das lendas e mistérios que envolvem aquele lugar mágico. Mas eles existem também em Portugal com relativa abundância, sobretudo no Alentejo, ainda que sem a majestade do monumento britânico.

Desde que soube da existência de menires perto da minha nova casa, fui assaltada por uma inexplicável febre megalítica. Portanto rumei ao Rochoso, uma pequena aldeia do distrito da Guarda, onde repousam as tais rochas funerárias descobertas apenas no século XX. 



Quando lá cheguei, percebi porquê. Modestas, magrinhas e desconsoladas, tímidas guardadoras de um portão enferrujado, como saber se estas pedras resultam de mão humana ou da imaginação fértil da mãe natureza?

Mas parece que sim, cientistas confirmaram que são menires e, segundos os moradores, existiu em tempos um terceiro que entretanto desapareceu. Mas como é que se rouba um menir sem dar nas vistas? Não será, no mínimo, preciso uma grua? Porque apesar de modestos, nos padrões da minha imaginação, ainda medem cerca de 3 metros... Talvez o Obélix tenha visitado o Rochoso…




Por ordem, o Calvário,  o Plátano centenário e
uma pedra que parece um ninho com ovos...

Confesso que fiquei um pouco desapontada, mas aproveitei a viagem para uma pequena caminhada e outras vistas. Parei junto do coração da aldeia, um imponente Plátano, centenário, apertado no largo principal. Depois, subi até ao Calvário, o ponto mais alto da localidade, e bebi da paisagem salpicada de granito, apesar do vento gelado.

Existem por ali pedras com formas e estórias fantásticas como a Laje das Bruxas: desta simples eira de malhar centeio diz-se que é ponto de encontro das bruxas, às terças e quintas-feiras, para comerem papas. Acrescentem-se também os barrocos ou grandes pedras: o Barroco Gordo, o Barroco do Coelho, o Barroco do Medo (para onde se atira uma pedra para fugir ao inferno) e, o meu favorito, o Barroco do Chocalho.


O Barroco Gordo (esq) e outro que parece um rosto humano (dir).

© http://rochoso.pt/



Aos ingénuos diz-se que é possível ouvir o som de uma campainha vindo do seu interior. Quem disser que não ouve nada, leva tamanha cabeçada que fica a ouvir sinos!!!

Lugares de outros mortos

Rumo a sul, em direcção ao rio Noéme [achei tão poético o nome deste pequeno afluente do Côa, mas não consegui descobrir porque o baptizaram assim], em busca da “Cama da Moura”. Na verdade trata-se de uma sepultura, com uma figura humana esculpida no interior, nas margens do rio, numa zona onde abundam os carvalhos que, como se sabe, é considerada uma árvore sagrada para muitos antigos.






Segui as setas com dificuldade porque as giestas e o tojo tomaram de assalto o estreito caminho. Trepei, molhei as botas, dirigi-me a uns amontoados de rocha em busca da tal sepultura… perdi-me (já vos contei do meu lamentável sentido de orientação??)… vislumbrei uma pequena tabuleta ao longe (da minha miopia já vos falei), enchi-me novamente de esperança para chegar e ler o seguinte aviso: “Estacionamento de gado bovino”.


Felizmente, apesar do desaire - que podia ser bem pior numa zona de javalis e em plena época de caça -, consegui regressar ao carro graças à canção do  Noéme. Posso ver mal mas tenho uma audição esplêndida! Lanchamos à beira rio, num parque de merendas que deve ser uma delícia em dias de calor, antes de regressarmos a casa após uma pequena paragem à saída do Rochoso onde alguns defendem que existe um cromeleque. Estando na base de um planalto, a terra vai-se acumulando naturalmente ali, pelo que só uma escavação revelaria a dimensão destes pequenos pedregulhos...




A anta da Pêra do Moço fica a cerca de 8 km da Guarda.



Não muito longe dali, na aldeia da Pêra do Moço (distrito da Guarda também),  existe outro lugar funerário, classificado como monumento nacional. Com cerca de 6 mil anos, a Anta da Pêra do Moço foi abrigo e cozinha de pastores e agricultores até ser comprada no século XIX e doada à Sociedade Martins Sarmento, uma instituição arqueológica de Guimarães, vejam estas coincidências da vida...

Mas por hoje chega de pedras, calhaus, rochas e sepulturas. Deixo-vos com o arco-íris que nos abençoou uma bela, ainda que fria, tarde de domingo.









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18 comentários

  1. Que belo passeio! Realmente, o nosso país tem surpresas maravilhosas! Já visitei essa região num passeio algo diferente deste que nos oferece e há ali um sentimento de magia assaz incrível.
    Muito obrigada por nos fazer sonhar!
    Bjo

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    1. Obrigada Dulce, pelos comentários sempre generosos. Há quem não compreenda muito bem esta minha "fome de mundo". Mas porque hei-de preferir ficar em casa só porque está frio? Mais um casaco e vamos à aventura... :)

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  2. Quantas aventuras e lugares lindos.Coisas inesquecíveis! beijos praianos,chica

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    1. Boas férias, querida Chica. Divirta-se com o cachorro, netos e demais parafernália de praia, hihi

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  3. Que ricos achados!!! Cá para mim, o Depardieu passou por aí e vendeu o menir ao Putin (ai que ainda vou parar à Sibéria!)..
    Beijinhos, boa semana (aqui já está escuríssimo)!
    Madalena

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  4. que belo passeio, querida amiga!!!
    eu já soube que chegou um pacote vindo dai, mas como estou na praia, vou ter que deixar para matar minha curiosidade no final de semana, quando retorno à casa e a vida da cidade. Por ora, estou aproveitando alguns dias de sol, não tão estupidamente quentes como forma os dias de final de ano, bastante vento... aproveito para dar longas caminhadas na beira mar e assim, tentar tirar o branco estilo limpeza de sabão em pó, que é a cor de minha pele!!! kkkk
    desde já, agradeço o mimo, que está me deixando louca de curiosidade, ao ponto de contar os dias para retornar para casa! bjs
    tititi da dri

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    1. Aproveita bem, que saudades que eu tenho da praia. Por aqui um frio danado... Beijinho querida

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  5. Adorei, Ruthia, nao conhecia nada disso.
    A pedra realmente parece um rosto humano.
    Acho interessante lugares rochosos.
    Tudo isso é atraentemente misterioso.

    Beijos

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    1. Ou somos nós que gostamos de semear um pouco de mistério à nossa volta, também! Para tornar a vida mais temperada... Beijinho, boa semana

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  6. Obrigada pela simpática visita à minha "cabana".Já acabei o livro do Carl Sagan, gostei muito, fez-me bem recordar que o método científico é um bom mecanismo corretor de erros e disparates da Humanidade:)

    Viagem interessante mas quanto ao menir, não acredito que tenha sido o Obélix :D
    A menos que também houvesse javalis para assar no espeto...
    Também conheço a zona perto de Évora onde existem vestígios semelhantes a estes.

    Beijinhos e boa semana

    another blog in the sky

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    1. Javalis assados, bardos atados numa árvore, uma boa fogueira a arder... estou bem a imaginar uma festa dos irredutíveis gauleses por aquelas bandas :)
      Beijinho e conta com mais visitas minhas, linda!

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  7. Que interessante, a pedra parece mesmo um rosto!! Aqui no Brasil no caminho do Rio para Vitória tem uma rocha que lembra o rosto de uma bruxa, é perfeito :)
    Essa última foto está linda, amo arco-íris!!
    Beijos,

    lolaporlola.blogspot.com

    Instagram: stephanieparizi

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    1. Té, adorei as fotos das suas férias nos States. Um dia com muitos arco-íris, menina linda :)
      Beijinho

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  8. Adoro passeios desse género, tipo andar à procura de tesouros...arqueológicos e/ou históricos.
    Temos tantas coisas bonitas em Portugal, e tão mal exploradas/conservadas!
    Conheço um bocado da Europa (também USA), mas orgulho-me de conhecer bastante bem Portugal, de Norte a Sul.
    Imagino que te tenhas divertido imenso com esse maravilhoso passeio.

    Que o teu ano seja sempre luminoso.
    Beijinhos

    Estava a esquecer :) - As fotos estão óptimas. Parabéns.

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  9. Oi minha linda amiga, cheguei e recebi o teu livro!! que alegria.... depois de ler o post do lançamento, fiquei super curiosa para ler o mesmo e eis que ao retornar da praia dou de cara com o livro me esperando aqui!!! super obrigada... fiz uma postagem no blog, com foto, e coloquei o link daqui..bjs desejando uma semana maravilhosa para vocês!!
    tititi da dri

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    1. Muito obrigada pelo carinho, querida Dri. Depois do mimo que recebi seu, quis retribuir com algo simbólico. Agora tens um pouco de mim em casa :)
      Beijos mil e uma doce semana

      http://tititidadri.blogspot.pt/2013/01/tio-carteiro-veio.html

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  10. Muito interessante mesmo. Uma verdadeira aula de cultura!
    Obrigada por compartilhar conosco.

    Boa semana!

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«Viajar torna uma pessoa modesta – vê-se como é pequeno o lugar que ocupamos no mundo.» (Gustave Flaubert)

Obrigada por ler as minhas aventuras e ainda gastar um momento para comentar. A sua presença é muito importante para mim. Um abraço e até breve!